CASO DAS MATRÍCULAS | Sindeducação rebate declarações do secretário de Educação da Capital

NA TV, Moacir Feitosa culpou professores por má gestão da SEMED e caos na educação

Secretário falou à TV Mirante.

O cenário de desespero de milhares de pais e mães de alunos na porta da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), na manhã desta segunda-feira, 25, é apenas a “ponta do iceberg” de um problema de má gestão da Educação Pública municipal, que tem à frente, um secretário que despreza a importância dos professores de Carreira, e insiste “pintar” um cenário de maravilhas sobre a infraestrutura da rede escolar, creditando todos os problemas educacionais para as greves realizadas pela categoria, contra o descaso do prefeito Edivaldo Holanda Júnior com a educação.

Caos na Educação de São Luís foi denunciado pelo Portal Imirante. Leia. (Foto: Biné Morais / O Estado).

O simples ato de matricular o filho se tornou um martírio para quase 10 mil famílias de São Luís, que não possuem acesso à Internet para realizar o procedimento. Outros, que conseguiram, até o momento não confirmaram o nome do aluno na lista divulgada pela SEMED, ou ficaram com o filho matriculado em uma escola muito longe de casa. Vale lembrar, que o secretário Moacir Feitosa comemora “estar virtualizando” todos os procedimentos da Educação Municipal, mas não consegue fazer funcionar, em plenitude, um simples sistema (SisLame Web) comprado a peso de ouro no Sudeste do país, onde funciona dentro de uma outra realidade sociocultural.

Na arrogância do secretário, e diga-se de passagem, do prefeito que o nomeou, a população ludovicense é 100% conectada à internet. A porcentagem, que só existe no imaginário desses gestores, é superior ao índice de 70% (dados do IBGE) de conectividade da população brasileira.

Ao longo das últimas semanas, o Sindeducação tem recebido diversas reclamações dos pais, e denunciado à Imprensa o processo de exclusão patrocinado pela SEMED, que deixa de cumprir seu dever constitucional de garantir Educação Pública, Gratuita e de Qualidade para a população. Sem saída, diante das câmeras, a desculpa mais fácil a ser dada pelo gestor da Educação é culpar as greves.

 

Pais angustiados durante protesto na frente da SEMED.

Para a presidente do Sindeducação, professora Elisabeth Castelo Branco, o ato de culpar a greve dos professores pelo caos que está a Educação municipal, é um tiro no próprio pé do secretário, pois reafirma o descompromisso do município em honrar seus deveres com os professores de Carreira. “A greve é o último recurso de luta dos trabalhadores, e se chegamos lá, por diversas vezes, nada mais é que culpa da Administração Municipal”, assegura a sindicalista.

Os educadores da Capital estão há dois anos sem reajuste, e acumulam perdas salariais de 17,46% na gestão Edivaldo Holanda Júnior (2013 – 2018). O reajuste nacional do Piso da Educação, de 4,17%, aprovado pelo Governo Federal ainda não foi cumprido por São Luís.

Para a presidente, as afirmações do secretário não passam de “frases feitas” de desculpas para a sociedade através da Imprensa, já que todos os dias parados foram devidamente pagos, ou seja, o secretário de Educação falta com a verdade. “O secretário não fez um planejamento e quis ‘modernizar’ a matrícula, porém esqueceu de dá estrutura de funcionamento para as UEB´s, que estão desprovidas de tudo, inclusive merenda escolar e material didático. Daí a culpa é do professor? Quantas vezes as aulas foram suspensas por reformas que nunca terminaram, falta de energia, água, material didático, ou porquê os alunos da Zona Rural não conseguiram chegar à escola por falta de transporte?”, dispara a professora.

Bebedouro e teto de escola visitada em agosto de 2018 pelo Sindeducação, em situação precária, revelam descaso da administração municipal com professores e alunos.

 

Durante a entrevista, o secretário de Educação prometeu também, resolver, em uma semana, o problema das 6 mil matrículas que não foram processadas pelo sistema eletrônico da Prefeitura; prometeu também reforço escolar com transporte para todos os seis mil alunos prejudicados. Para o Sindeducação, são mais falácias do gestor. “A SEMED não conseguiu totalizar as inscrições em quase um mês (1º à 23 de fevereiro), irão conseguir em uma semana?”, questiona Elisabeth Castelo Branco.

O Sindeducação lembra, que não falta dinheiro para a Educação de São Luís. Segundo dados oficiais do Portal do Tesouro Nacional, a gestão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior recebeu, em 2018, a ordem dos R$ 357,6 milhões de reais só de FUNDEB. Em janeiro de 2019 foram repassados quase R$ 60 milhões. Segundo dados da Confederação Nacional do Municípios (CNM), o repasse do Fundeb para São Luís, em 2019, será de R$ 351 milhões de reais.

EXCLUSÃO – O Sindeducação alerta que a postura da Prefeitura, em conluio com a SEMED, penaliza a população mais carente de São Luís, que por vezes, mesmo dispondo de internet no aparelho celular, não consegue realizar uma matrícula pelo fato de não ter leitura, ou mesmo dificuldade no manuseio do sistema. “Nós sabemos que a escola pública deve ser ampla e inclusiva, mas o processo eletrônico lançado sob o viés da modernização, exclui milhares de pais e alunos da nossa Capital”, lamenta a presidente do Sindeducação, professora Elisabeth Castelo Branco.

DIÁRIO ELETRÔNICO – A SEMED também lançou mão dessa obrigatoriedade para os professores da Rede de Ensino. Em declaração recente, o secretário de Educação, professor Moacir Feitosa, afirmou que o preenchimento do Diário Eletrônico de classe, por meio do Sistema de Administração e Controle Escolar (SisLAME), é obrigatório para todos, inclusive, para os professores das escolas onde não há disponibilidade de computadores e conexão à internet. Das 266 escolas, apenas 62 têm estrutura de equipamentos e internet para a realização do procedimento.

Para Moacir Feitosa, todo professor, na atualidade, deve estar inserido no contexto tecnológico, e preencher o Diário Eletrônico pelo smartphone, tablet ou computador pessoal, ir a uma Lan House, nas escolas, ou na própria SEMED, mas não deve deixar de fazê-lo. “Para facilitar, o sistema está disponível offline, onde o professor pode preencher as informações sem conexão de internet, salvar, e depois remeter quando estiver conectado à rede mundial de computadores”, pontuou.

Para o Sindeducação, a implantação do Diário Eletrônico, da forma como tem sido trabalhada pela SEMED, está sendo uma experiência “traumatizante” para a categoria. “Apoiamos o aperfeiçoamento do labor do educador por meio das novas tecnologias disponíveis, todavia, a Administração Municipal precisa oferecer todo o arcabouço necessário para a realização da tarefa, e não pode obrigar o professor a utilizar de ferramentas próprias, que muitas vezes nem dispõe”, avaliou Elisabeth Castelo Branco.

 

Imprensa Sindeducação.

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