Professores decidem iniciar movimento paredista a partir de agosto

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Os professores da rede pública municipal de ensino de São Luís decidiram em Assembleia Geral Extraordinária, na manhã deste sábado, 27 de maio, paralisarem as atividades por tempo indeterminado. A categoria decidiu pela Greve Geral depois da intransigência da Prefeitura de São Luís que finalizou a mesa de negociação sem oferecer nenhum reajuste para os profissionais do magistério. Além disso, os professores e alunos sofrem com as péssimas condições das escolas, que não tem infraestrutura nenhuma. Falta iluminação nas salas, ventiladores, merenda escolar, material pedagógico, condições de salubridade para o desenvolvimento das práticas pedagógicas.

“Negociamos até a última oportunidade, até quando a Prefeitura de São Luís resolveu encerrar a mesa de  negociações no item financeiro, oferecer 0% de reajuste, ou seja, nada. Mostramos os números e questionamos sobre o pagamento do magistério, mas mesmo assim não fomos ouvidos. Desde 2013 que as conquistas dos nossos direitos sempre é com muita luta e depois de todo esse tempo a Prefeitura de São Luís quer negar o que é nosso. Não podemos aceitar e a greve é o nosso instrumento constitucional para cobrar da Prefeitura o que é nosso por direito”, disse a professora Elisabeth Castelo Branco, presidente do Sindeducação.

A proposta de reajuste salarial deliberada em assembleia e encaminhada à Prefeitura de São Luís é de reajuste de 7,64%, mais o parcelamento das perdas salariais que chegam a 16,07% e ainda uma gratificação de incentivo a docência de R$ 400,00 para os professores efetivos.

A alegação da Prefeitura de São Luís continua sendo a atual conjuntura do país que “vivencia” uma crise financeira sem precedentes. Acontece que o prefeito Edivaldo Holanda Junior vem massacrando o sistema educacional de São Luís e nesse governo o direito de alunos e professores são descumpridos diariamente desde 2013 – época em que o gestor assumiu o poder municipal.

Unanimidade

Durante a explanação dos prós e contras de entrar em uma greve, os professores indignados, relataram a falta de valorização dos professores de São Luís por parte da Prefeitura, a falta de condições de trabalho e as condições de infraestrutura das escolas.

Hoje cerca de 40 escolas estão com as aulas paralisadas. Na quinta feira, mais uma escola desabou o forro, devidos as infiltrações e falta de manutenção. Dessa vez a UEB Enedir Santos Paixão no bairro do Santa Bárbara. No mês de março, foi o teto da Escola Darcy Ribeiro que veio abaixo, deixando professora e alunos feridos. Na Escola Rosa Mochel, no Coroado, uma parede veio abaixo, trazendo junto o forro. Na escola Antônio Vieira, no São Cristóvão, uma luminária caiu e machucou a cabeça da professora.

“Não podemos carregar nos nossos ombros a má administração do Prefeito Edivaldo Holanda Júnior. Hoje temos uma situação insustentável nas escolas de São Luís e somando-se a isso a falta de sensibilidade do gestor municipal para uma área tão importante que é a educação, os professores vivenciam uma luta diária em prol da educação pública da capital”, exclamou a professora Elisabeth Castelo Branco

Durante a votação pela deflagração da greve, os professores foram unânimes na aprovação da greve e deliberaram ainda sobre o início da manifestação, onde foram apresentadas duas propostas:  iniciar a greve de forma imediata e a outra em agosto, sendo a vencedora a proposta de iniciar a greve no início do 2°  semestre, ou seja, em agosto e ainda cumprir as mobilizações nacionais no mês de junho conforme calendário da CNTE.

Como a categoria decidiu pela paralisação somente em agosto, acompanhando o calendário do mês de junho das manifestações nacionais da CNTE, o Sindeducação, junto com os professores da base vão unificar a luta realizando assembleias regulares, convidando a comunidade escolar, entidades públicas, como o Ministério Público e a própria SEMED, conselhos tutelares, pais de alunos e comunidade para mostrar a situação da educação pública de São Luís e a importância da valorização dos professores.

“Nesse momento precisamos de unidade e organização, a nossa luta tem que ser mais forte. Já conhecemos o nosso inimigo e sabemos do jogo deles. A categoria tem que entender que é normal termos ideias divergentes, mas nesse momento é necessário participação e unidade, contra um inimigo em comum. Precisamos estar coesos não de ideais, mas de luta para poder ir para o enfrentamento”, disse a presidente Elisabeth Castelo Branco.

Filiação

Durante a assembleia, a professora Elisabeth Castelo Branco pediu uma questão de ordem e propôs a categoria a filiação do Sindeducação à Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação, CNTE, filiação que foi votada e aprovada por unanimidade pelos professores presentes.

“Sabemos que a luta vai ser árdua e precisamos unir forças com quem realmente pode colaborar  conosco. A  CNTE já é um parceiro do Sindeducação e nada melhor para unificar a nossa luta do que a filiação a essa entidade, sabemos que só temos a ganhar e fico feliz em saber que a categoria também entendeu o nosso pedido e votou a favor da filiação, finalizou a professora Elisabeth Castelo Branco.

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