Sindeducação constata atrasos e descaso em obras de reformas das escolas da rede pública municipal de São Luís

A diretoria do Sindeducação fiscalizou durante essa semana, quinze escolas da rede pública municipal que passam por reformas e intervenções realizadas pela Prefeitura de São Luís, através da Secretaria Municipal de Educação. O objetivo das visitas é averiguar a situação das reformas e intervenções, se elas estão realmente acontecendo e a previsão de entrega das obras.

Na manhã de terça-feira, 08, o Sindeducação, em reunião com Ministério Público e a Secretaria de Educação cobrou celeridade no andamento das obras e um cronograma real de entrega das escolas, visto que muitas ainda nem começaram as reformas. Outro questionamento da entidade sindical foi quanto a falta de investimento na educação por parte da Prefeitura de São Luís, visto que, com todos os problemas que a rede municipal de ensino passa, a educação perdeu cerca de 46 milhões em 2017 previstos para a pasta, sendo remanejados para as pastas da Administração, Desporto e Lazer e Essencial a Justiça.

“A rede municipal de ensino passa por problemas gravíssimos, crônicos e mesmo sabendo de todas essas problemáticas (ano passado várias escolas tiveram tetos desabados, problemas hidráulicos e elétricos, de infraestrutura e sem reajuste para o professor), a Prefeitura de São Luís deixa de investir na educação um recurso vultuoso, dando prioridade a outras pastas. Realmente essa atitude do Prefeito de São Luís é lamentável. Deixar a educação em segundo plano mostra, realmente, a falta de responsabilidade dessa gestão com a população de São Luís”, disse a professora Elisabeth Castelo Branco.

Diagnóstico das escolas que passam por reformas e intervenções

Durante a semana, a diretoria do Sindeducação vistoriou quinze escolas da rede pública municipal que passam por reformas e intervenções, verificando prazos e andamento das obras.

Na região da Cidade Operária quatro Unidades de Ensino Básico foram visitadas: UEB Mata Roma, UEB Nascimento de Morais, UEB Tancredo Neves, UEB José Ribamar Bogéa.

Na UEB Mata Roma as diretoras do Sindeducação não encontraram ninguém da gestão escolar para prestar esclarecimentos acerca das condições do prédio. A reforma ainda não começou. As aulas foram paralisadas ainda no mês de fevereiro, foi feita a retirada do forro de alguns espaços da UEB e depois, a escola foi abandonada. De lá para cá, nada mais foi feito. As atividades continuam paralisadas, os alunos estão em casa e não há nenhuma previsão de início, da reforma e nem das aulas.

UEB Nascimento de Morais a reforma está acontecendo de forma geral, pois a escola estava com suas estruturas completamente comprometidas: telhado, instalações elétricas, hidráulicas e pintura. Segundo a direção da escola, as aulas estão com previsão de início para o dia 21 de maio. Mas, conforme foi verificado pela direção da entidade sindical, provavelmente esse prazo não vai ser cumprido, pois os serviços de instalações elétricas ainda estão no início, faltando também a colocação de forro e finalização da pintura.

Na UEB Tancredo Neves a reforma do prédio iniciou no mês de março e até a presente data não foi finalizada. Segundo a direção da escola, ainda não existe prazo de encerramento das obras e início do ano letivo de 2018. Falta fazer as instalações elétricas, colocação de forro, portas nas salas, pintura e limpeza. Como os trabalhos por parte da empresa segue em ritmo lento e ainda é grande a quantidade de serviço para ser realizado, o Sindeducação percebeu que vai demandar mais tempo, sem cumprimento do prazo estabelecido.

Na UEB José Ribamar Bogéa, está sendo feito serviços de pintura e conserto de janelas. Segundo a gestora da escola, as obras estão em fase final e as aulas devem iniciar no dia 21 de maio. A direção do Sindicato voltará para verificar se de fato esse prazo vai ser cumprido.

Na região do São Cristóvão, as UEB’s Antônio Vieira e Thales Ribeiro também passam por reformas, mas em nenhuma escola existe prazo de encerramento da obra e início do ano letivo. Apesar de estar paralisadas já há um tempo significativo, não se percebeu avanço nos serviços a ser realizados: calçamento, pintura, colocação de forro, instalações elétricas,  limpeza e arrumação da escola. Além disso, se constatou muito descaso e falta de cuidados com os materiais e mobiliários da escola.

Na zona rural, as UEB’s UI Arimateia Cisne (municipalizada) e Evandro Bessa, as aulas já iniciaram, mas mesmo depois da reforma/intervenções as escolas ainda apresentam problemas nas suas estruturas.

A UI Arimateia Cisne não foi concluída a pintura, há muito mato em torno do prédio impossibilitando o fluxo dos alunos, tem uma quadra descoberta, faltam portas nas salas de aula e o piso está quebrado. Na porta da escola não existe infraestrutura. A entrada é completamente esburacada, com vazamentos de água, lama e lixo.

Já a UEB Evandro Bessa, mesmo depois da reforma, não possui sistema adequado para as instalações elétricas, a iluminação nos espaços escolares é insuficiente, os aparelhos de ar condicionados não funcionam e existem salas de aula com muito mofo, o que prejudica a saúde dos alunos e professores.

Na região do Turu, as diretoras do Sindeducação estiveram na Escola Terceiro Milênio, que foi deslocada para um “novo” prédio cedido pelo governo do Estado para a implantação da escola. As aulas iniciaram na segunda-feira, dia 07 de maio, mas os alunos enfrentam problemas com a iluminação da escola, piso quebrado, falta de espaço para a atividade de educação física, ausência de reparos nos banheiros e de ventiladores nas salas.

Na UEB José Sarney as aulas iniciaram no dia 23 de abril. A escola tem quatro turmas e uma ainda permanece funcionando sem infraestrutura adequada na Associação de Moradores. A escola carece de segurança.

Na região do centro, foram visitadas as UEB’s Alberico Silva (CIEP), Anexo Nossa Senhora Aparecida, Monsenhor Frederico Chaves (Educação Infantil), Camélia Viveiros e Newton Neves.

A UEB Alberico Chaves (Ciep) localizada no bairro da Alemanha continua paralisada desde o mês de fevereiro e sem finalizar o ano letivo de 2017. As diretoras do Sindeducação presenciaram a análise da água que abastece a escola, pela Vigilância Sanitária, que está imprópria para consumo. Segundo informações o andamento da reforma na escola vai depender do parecer da Vigilância Sanitária. A quadra está a anos sem nenhuma condição de funcionamento e não existe nenhuma previsão de retorno das aulas.

O anexo Nossa Senhora Aparecida – Anexo I – UEB Alberto Pinheiro, localizada no bairro do Monte Castelo, está paralisada desde janeiro, depois que o teto de duas salas desabou. Segundo funcionários, o material para dar prosseguimento à obra ainda não chegou e os alunos continuam sem ter aulas. Os problemas na escola foram denunciados ainda em fevereiro (reveja aqui) pelo Sindeducação, mas até agora nada foi feito.

Na UEB Monsenhor Frederico Chaves (Educação Infantil) que fica localizada no bairro do São Francisco, as aulas iniciaram dia 08 de maio, depois de passar cerca de um ano com as atividades paralisadas.

No bairro do Coroado, as diretoras do Sindeducação estiveram na UEB Camélia Viveiros que também está com as atividades paralisadas devido a reforma. Está sendo feita intervenção no telhado e na rede elétrica, mas os alunos também enfrentam problemas na parte hidráulica que não foi contemplada com a intervenção. Não há previsão de retorno das aulas.

Na UEB Newton Neves que fica localizada no bairro da Vila Palmeira, a reforma da unidade de ensino esta paralisada devido a falta de material do forro e ao fato, também do andamento da obra está sendo feita de forma lenta A Escola paralisou as atividades dia 12 de abril e não tem previsão de reinício das aulas; tem oito salas e contempla cerca de 580 alunos que estão prejudicados com a reforma interminável da UEB.

Já na área do Itaqui-Bacanga as escolas visitadas foram as UEB’s Carlos Madeira e Anexo Japiaçu que se encontra paralisada há um mês e passa por intervenções na infraestrutura. A escola ainda não tem previsão de voltar a funcionar.

Segundo a professora Josidete Barbosa, vice-presidente do Sindeducação a falta de um cronograma dificulta o acompanhamento das obras.

“O que vimos nas escolas onde passamos é de causar indignação. A falta de compromisso da Prefeitura de São Luís com a educação fica mais evidente quando nos deparamos com reformas intermináveis e que não vão suprir as necessidades dessas instituições de ensino. Já solicitamos várias vezes o cronograma de reforma das escolas da rede pública municipal para a Secretaria de Educação, mas até agora ainda não foi encaminhado para o sindicato”, relatou a professora Josidete Barbosa.

Depois de toda fiscalização, o Sindeducação vai elaborar um dossiê com a situação de todas as escolas e encaminhar para as autoridades competentes.

“De posse de todas essas informações e registros vamos elaborar um dossiê para entregar para o Ministério Público Estadual mostrando a real situação das escolas que estão em reforma na rede pública municipal de São Luís e cobrar providência para que esses alunos não sofram as consequências da irresponsabilidade da Prefeitura de São Luís e da Secretaria Municipal de Educação”.

Escolas paralisadas:

Anexo Japiaçu, UEB Alberico Silva (CIEP), UEB Newton Neves, UEB Camélia Viveiros, UEB Mata Roma, UEB José Ribamar Bogea, UEB Antônio Vieira, UEB Nascimento de Morais, UEB Thales Ribeiro Gonçalves (Fundamental), Anexo Nossa Senhora Aparecida – UEB Alberto Pinheiro, UEB Tancredo Neves.

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