- Trezentas mil mulheres ocuparam a Esplanada dos Ministérios reivindicando reconhecimento de uma dívida histórica deixada pela escravização e pela colonização no Brasil
- Diretoria, funcionárias do Sindeducação e professoras da base marcharam Por Reparação e Bem Viver
Foram aproximadamente 36 horas de viagem de ônibus, saindo de São Luís (MA) rumo a Brasília (DF), em uma caravana representativa, forte e entusiasmada para participar da histórica Marcha das Mulheres Negras 2025. Somente do Maranhão, mais de 700 mulheres estiveram presentes — entre elas, 23 professoras negras, diretoras, trabalhadoras e funcionárias do Sindeducação — que se uniram às mulheres de todo o país para marchar, nessa terça-feira, 25 de novembro de 2025, “Por Reparação e Bem Viver”. A presença massiva reafirmou o protagonismo das mulheres negras na construção de um projeto de sociedade baseado na dignidade, na equidade e na justiça social.
Realizada novamente após dez anos, a Marcha das Mulheres Negras 2025 se consolidou como um marco histórico não apenas pela expressiva participação, mas pela ampla programação política que ocupou a Esplanada dos Ministérios ao longo de todo o dia. Às 9h, teve início o grande cortejo, guiado por representantes de movimentos de mulheres negras de todas as regiões do país, seguido de rodas de diálogo, intervenções culturais, apresentações artísticas e falas de lideranças nacionais. As milhares de participantes entoaram cantos de resistência, ergueram cartazes e compartilharam experiências que evidenciam a urgência de políticas públicas estruturantes voltadas para a população negra, especialmente para as mulheres que enfrentam, diariamente, barreiras sociais, econômicas e institucionais ainda profundamente marcadas pelo racismo e pelo sexismo. A marcha, mais uma vez, mostrou a força, a unidade e a capacidade de mobilização das mulheres negras brasileiras.
Nesta edição da Marcha, a vice-presidente do Sindeducação, Ester Durans, destacou o lançamento de um manifesto nacional que reivindica o reconhecimento da dívida histórica deixada pela escravização e pela colonização no Brasil. Entre as propostas apresentadas, está a criação de um Fundo Nacional de Reparação, voltado para compensar os danos acumulados ao longo de séculos, até que haja equiparação real das condições socioeconômicas entre os diferentes grupos raciais.
“A Marcha também trouxe como pautas centrais a regularização dos territórios quilombolas, o fortalecimento das comunidades rurais e o aumento das condições de participação política das mulheres negras — que ainda enfrentam forte sub-representação em espaços de decisão. O movimento cobrou, ainda, ações firmes de combate ao machismo, à violência doméstica e ao racismo institucional, fatores que seguem impactando de maneira desproporcional a vida de meninas e mulheres negras em todo o país”, observou Ester Durans.
Ao avaliar a participação do Sindeducação no evento, a 1ª secretária -geral do Sindeducação, Rose Costa, ressaltou a importância histórica da Marcha e reafirmou o compromisso da entidade com essa agenda urgente e transformadora.
“Estar na Marcha das Mulheres Negras 2025 foi profundamente significativo. Marchamos ao lado de milhares de mulheres que resistem, constroem e apontam caminhos para um Brasil mais justo. O Sindeducação reafirma seu compromisso de fortalecer essa luta e de construir, junto à categoria, pautas que enfrentem os desafios contemporâneos das mulheres negras, sobretudo para reverter os efeitos estruturais do racismo e do sexismo que moldaram — e ainda moldam — a nossa sociedade”, destacou a dirigente sindical.
