Sindeducação – Nota: As duas mais recentes vítimas fatais da violência nas escolas

O final do mês de abril e este início de maio de 2026 ficam marcados, infelizmente, para nós, professoras e professores, funcionários e estudantes, sobretudo da Educação Pública Brasileira, pelo avanço da violência.

Referenciamos e reverenciamos, em especial, as trabalhadoras do Instituto São José, em Rio Branco, no Acre, mortas ao defender a comunidade escolar de um massacre na última terça-feira, 5 de maio:

Às memórias de ALZENIR PEREIRA DA SILVA e RAQUEL SALES FEITOSA, nossas mais contundentes homenagens!

Além delas, outra funcionária e uma aluna foram feridas no ataque a tiros desferido por um adolescente na escola.

Somos em maioria trabalhadoras, mães, cada vez mais alarmadas e adoecidas pela incerteza de sair para trabalhar sem saber se voltaremos. Alzenir, por exemplo, tinha 53 anos, e era conhecida no Instituto São José, onde trabalhou por mais de 15 anos, como Tia Zena, deixa dois filhos e sete netos que passarão este Dia das Mães sem sua presença.

É preciso que se diga:

A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS NÃO É MERO ACASO, MUITO MENOS FATALIDADE.

Não podemos aceitar nossos locais de trabalho, onde prestamos um serviço essencial ao país, serem tratados como uma loteria em que o prêmio é voltarmos vivas e vivos para os nossos e para as nossas casas. Tudo isso é descaso, falta de políticas públicas e de cuidado com a educação.

Somente nos últimos dias, na área Itaqui Bacanga, um aluno atípico feriu um professor, que tentava defender outros professores e alunos durante um surto; no Cohatrac, parentes de um estudante descontentes pelo fato de a professora alertar-lhes sobre faltas e atrasos, tiveram a coragem de se dirigir até a escola, indo até a sala de aula para ofender e bater na docente.

Tudo isso faz parte de um quadro que há anos vem sendo denunciado pela nossa categoria através do Sindeducação: falta de cuidadores que deem suporte ao trabalho docente; falta de campanhas de conscientização contra a violência e contra o bullying, falta de apoio aos funcionários; falta de protocolos que previnam que salas de aula sejam invadidas por estranhos, que pessoas de fora da comunidade escolar adentrem em nossas escolas.

A Semed – repetimos mais uma vez – precisa vir a público de forma clara e contundente. Precisa se posicionar, precisa investir na segurança, na estrutura das escolas, no acolhimento das vítimas, sejam elas funcionários, professores ou estudantes.

Não podemos seguir dando aula como se nada tivesse acontecido. É preciso que nos sejam dadas condições para exercermos nosso trabalho com dignidade.

São Luís, 8 de maio de 2026

A Direção do Sindeducação – Gestão 2024-2028 – Unidade e Luta por mais direitos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.