Educação em luta| Trabalhadores da educação paralisaram suas atividades no dia 23 de abril

Em São Luís, o Sindeducação promoveu ato na Praça Deodoro, Centro

Engajada pelos sindicatos filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a paralisação nacional, que integrou as ações da 26ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, aconteceu em São Luís na última quarta-feira (23 de abril de 2025) reunindo na Praça Deodoro (Centro), a diretoria do Sindeducação, professores da rede pública municipal de São Luís, entidades apoiadoras e comunidade. A mobilização, convocada pelo Sindeducação, foi mais um ato público para reafirmar a importância da valorização profissional, do investimento adequado e da gestão democrática nas escolas públicas. 

Em todo o Brasil, a Semana Nacional chamou a atenção da sociedade para pautas como os riscos da transferência de recursos públicos para o setor privado, que fragilizam a gestão democrática e reduzem direitos como piso salarial, planos de carreira e concursos públicos, levando a desvalorização profissional dos (as) professores (as) e funcionários (as) da educação.

Na capital maranhense, o Sindeducação chamou atenção para um ponto importante da pauta local: a não instauração, por parte da Prefeitura de São Luís, da Mesa de Negociação. Após conceder reajuste salarial no início do ano para a categoria, o prefeito Eduardo Braide e a Secretaria Municipal de Educação (Semed) se recusam a abrir o canal de diálogo com o sindicato para tratar sobre outras demandas importantes, como a valorização da carreira dos profissionais do magistério. 

Outras pautas também foram abordadas e alertadas para a sociedade durante o ato pelos (as) professores (as), sobretudo sobre a falta de profissionais para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), onde a maioria das escolas da rede não tem tutores, cuidadores e auxiliares para os (as) estudantes neuroatípicos. Condições insalubres das escolas da rede, assédio moral dentro dos espaços escolares e o adoecimento dos (as) docentes também foram pontos de atenção das intervenções realizadas pelos (as) docentes (as). Na oportunidade, a diretoria do Sindeducação agradeceu a presença dos (as) professores (as) da rede estadual das escolas Liceu Maranhense e C.E.M Almirante Tamandaré, embora o sindicato da rede estadual não tenha convocado para paralisação mobilizada pela CNTE. 

A diretoria do Sindeducação destacou também  sobre a votação na Câmara Municipal de São Luís, neste mesmo dia, em regime de urgência, do Projeto de Lei nº 123/25, de autoria do Poder Executivo, que propôs regular as contratações temporárias de profissionais do magistério por até 60 meses (5 anos). 

“Esta é mais uma medida da Prefeitura de São Luís  que coloca em xeque os direitos trabalhistas dos profissionais da educação, é uma prática, como todos sabem, que compromete a carreira, não oferece estabilidade e benefícios, além, claro, os (as) professores (as) seletivados são alvos constantemente de assédio moral por parte dos (as) gestores (as). Nós esperávamos a ampliação do número de vagas no concurso público realizado recentemente”, declarou Ana Paula Martins, 2ª Secretária Geral do Sindeducação

Ainda entrou no debate entre os (as) participantes, a onda de privatizações das escolas em todo o país. “As gestões municipais e estaduais tentam avançar com processos de privatização das escolas públicas, sob o argumento de buscar maior eficiência e sustentabilidade financeira. Essas ações resultam na transferência de recursos públicos para o setor privado e já estão comprometendo o acesso universal à educação e aprofundando as desigualdades sociais no país”, declarou Sheila Bordalo Presidente do Sindeducação

O Sindeducação alertou para o risco desses projetos avançarem, pois o sistema público de ensino pode se tornar cada vez mais fragilizado e incapaz de atender às demandas da população. “Nós precisamos, mais do que nunca, fortalecer a gestão democrática, então é muito importante mobilizações como esta do dia 23 de abril, que nos ajuda a fortalecer esse debate de valorização da escola pública como espaço de inclusão, cidadania e transformação social”, concluiu Rosilene Costa, 1ª Secretária Geral do Sindeducação.

 

 

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