Promovido pelo programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Maranhão, o PPGE/Ufma o IX Encontro de Educadores ocorreu na semana passada, entre os dias 26 e 29 de novembro, com o tema Educação e Democracia: conjunturas instáveis e direitos sociais.
De acordo com os organizadores do evento, a temática escolhida, para discussão, intercâmbio e trocas de conhecimentos entre pesquisadores e estudantes maranhenses com outros pesquisadores de instituições educacionais de outras unidades federadas, se deu pela sua relevância política na atual conjuntura nacional, na qual se entrecruzam e se confrontam projetos de sociabilidades e de desconstrução do processo democrático, de direitos sociais, de conquistas educacionais e de cidadania.
Para eles, as profundas mudanças decorrentes da crise do capital e seus desdobramentos, a pandemia, as reformas estatais e a transição impuseram grandes desafios ao Estado de Direitos no Brasil, para a reafirmação das conquistas educacionais e do processo de inclusão social.
No terceiro dia do evento, 28 de novembro, o Sindeducação compôs mesa-redonda, sendo representado pela 2ª secretária Geral, a professora Ana Paula Martins que, juntamente com o prof. Dr. Júlio Emílio Diniz Pereira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) abordou o tema “Formação e valorização do trabalho docente: lutas e desafios atuais”. A mesa-redonda foi coordenada pela profa. Dra. Ilma Vieira do Nascimento – PPGE/UFMA
Ambos os educadores trouxeram pontos preocupantes para o debate, entre eles a formação inicial dos docentes, ameaçada pelo alto nível de matriculas na educação à distância e a perda da atratividade da profissão no magistério.
Em sua apresentação, Júlio Pereira relatou que a atratividade da carreira em todo o Brasil, tem deixado a desejar, sobretudo em estados governados por políticos neoliberais, a exemplo de Minas Gerais, e acendeu o alerta de um possível apagão de docentes já para as próximas décadas, além disso destacou o alto número e efeitos das terceirizações nas escolas.
A professora Ana Paula Martins, trouxe ao público presente como está o cenário local na rede pública municipal para o magistério. Segundo ela, na capital maranhense, os (as) professores (as) estão sem perspectivas, já que a Administração Municipal, conseguiu achatar ainda mais a carreira dos (as) docentes, frente a cinco anos sem aumento salarial e de um reajuste diferenciado, concedido no ano de 2022, que resultou numa quebra de cerca de 30% para os profissionais de Nível Superior.
“Precisamos tem uma carreira que valorize a formação, o título de mestrado, doutorado, entre outros, porque para a rede é importante que os professores se dediquem a estudar, que mergulhem profundamente no debate, discussão, pesquisa e utilizem isso na educação básica, porque é um conhecimento que qualifica o sistema público, mas o que temos é a contramão de tudo isso, tendo em vista as dificuldades encontradas, por exemplo, quando os (as) professores (as) buscam a Secretaria Municipal de Educação (Semed) para dar entrada nas licenças”, explicou Ana Paula Martins.
Além da preocupação referente à carreira, a estrutura de ensino na rede pública municipal de São Luís segue chamando atenção e foi destaque também da mesa-redonda, pois, segundo Ana Paula Martins, a precarização do ensino e as salas de aula lotadas (muitas vezes com mais de 50 estudantes) são problemas que seguem dificultando o trabalho de professores e a aprendizagem dos (as) alunos (as).
Na mesa- redonda do IX Encontro de Educadores houve um consenso que é preciso que o país adote um projeto capaz de derrotar a ascensão da extrema direita, que é preciso intensificar a mobilização contra a retirada de direitos e enfrentar as pautas que atacam a classe trabalhadora no Congresso Nacional. Para eles, os sindicatos são peças-chave para a defesa dos direitos dos professores, por meio da união e da organização dos trabalhadores da educação, instituições que têm sido responsáveis por importantes conquistas trabalhistas e educacionais.
