RECURSOS TECNOLÓGICOS | Pesquisa da SEMED comprova caráter excludente do Ensino à Distância

Em meio ao caos instalado pela pandemia Covid-19 em São Luís, a Secretaria Municipal de Educação – SEMED, visivelmente abalada pela falta de um planejamento que leve em consideração a universalização da Educação Pública, direito consagrado na Constituição Federal, aplicou uma pesquisa direcionada a um grupo de professores, gestores escolares e pais de alunos com objetivo de identificar os recursos tecnológicos desses grupos para uma possível implementação do Ensino à Distância na Educação Básica e/ou Aula Remota.

A Direção do Sindeducação tenta dialogar com a SEMED desde o início do mês de abril, para colaborar na construção de uma saída que reduza os prejuízos ao calendário escolar e preserve a vida de todos que integram a comunidade escolar.

O questionário aplicado para as famílias dos estudantes obteve 15.882 respostas, do universo de quase 80 mil estudantes matriculados, atualmente, na Rede Municipal. “Independente do resultado, o total de respostas já é excludente por si, já que não identifica o nível de acesso do total das famílias às tecnologias para uso do Ensino à Distância/Aula Remota”, frisa a professora Izabel Cristina, presidente em exercício do Sindeducação.

Cerca de 84,3% das famílias entrevistadas possuem “smartphone”, mas apenas 50,2% tem internet disponível para uso. Mais de 90% dos professores e gestores escolares possuem o aparelho celular, mas 33,1% dos professores e 19,9% dos gestores não têm acesso à internet. O questionário atingiu 3074 professores, dos mais de 7 mil lotados na Rede Municipal.

Quando perguntados sobre a importância do Ensino à Distância no atual momento de pandemia, os resultados, para os três segmentos, alcançam entre 70 e 80%. A maioria concorda com a importância da retomada das aulas, mas para que de fato aconteça, é necessário atingir outros requisitos que no próprio resultado apresentado já deixa claro não existir, tais como o acesso universal aos meios tecnológicos e à internet.

Quase 85% das famílias também responderam que não possuem aparelho “notebook” em casa. Em média, 30% de professores e equipes gestoras também não possuem o recurso.

O sindicato lembra que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (n.º 9394/96), determina que a “Educação Básica será́ presencial, sendo que o ensino à distância somente será utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais”. Ou seja, de acordo com essa lei, as séries do Ensino Fundamental devem ser feitas de forma presencial, frequentando uma escola regular, com exceção aos alunos de supletivo, que não concluíram o Ensino Fundamental na idade regular.

DEBATE SOBRE O ASSUNTO – O sindicato promoveu um debate nas redes sociais para discutir o assunto. O professor doutor Genylton Rocha pela Universidade Federal do Pará (UFPA), especialista no assunto, demonstrou preocupação com a iniciativa da SEMED e destacou que a priori, a primeira ação do órgão deveria ser a construção de um Planejamento Curricular, repensando o que poderá ser ensinado, por meio da educação à distância, que não se pode pegar o plano da educação presencial e utilizá-lo no EaD.

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De acordo com o professor, as pesquisas comprovam que estudantes não conseguem focar a atenção durante 4 horas na frente de um computador/celular para fins de aprendizado. “Não se pode cair no discurso simplista de que o aluno passa esse horário jogando, são atividades completamente díspares, processos cognitivos diferentes. Como uma secretaria de educação de um município poderá adotar o EaD e não apresentar uma proposta de seleção e organização curricular adequada a realidade? Isso precisa ser discutido e debatido. Não se trata dos professores darem o seu jeito”, pontuou.

O palestrante também pontuou a seguinte questão, que o fato de o professor ser um excelente profissional em sala de aula, não significa que ele também será pelo modo à distância, são competências antagônicas, concursos públicos realizados, não previam o exercício do ensino não presencial. “Não é justo ser obrigado a ter competência para as quais não se teve formação. O EaD tem especificidades”, destacou.

Para a entidade sindical, o maior desafio de um “ensino remoto de emergência” seria dos educadores. “Como adaptar os conteúdos, as dinâmicas de sala, as aulas expositivas, as intervenções pontais do processo de alfabetização e as avaliações – sem prejudicar o processo de aprendizagem? Como manter os alunos interessados e engajados?!”, questiona a dirigente sindical, Nathália Karoline.

Para a professora Izabel Cristina, o EAD em São Luís jamais alcançaria a universalidade dos estudantes, pois recursos tecnológicos e a internet, conforme dados do IBGE, não estão presentes nem na metade dos lares maranhenses”, finaliza.

Imprensa Sindeducação.

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