Para professores das UEBs que retornaram aulas presenciais, a Prefeitura de São Luís precisa garantir condições de trabalho e respeitar autonomia das escolas

Dificuldades de aplicarem os protocolos sanitários nas escolas da educação infantil, carga horária de trabalho excedida, falta de EPIs, de utensílios de uso individual e insumos, preocupação com a voz e assédio moral por parte dos gestores, esses foram alguns problemas apontados pelos professores e professoras da rede pública municipal que retornaram com as atividades presenciais na última semana em 13 escolas. O sindicato promoveu uma plenária virtual na última sexta-feira (20/08) com a categoria.

Em aproximadamente três horas de reunião, os profissionais da educação relataram à diretoria do Sindeducação que a primeira semana de retorno foi bastante difícil. Segundo as professoras da Educação Infantil, o documento do Protocolo Sanitário elaborado pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) não foi pensado para crianças menores, que, devido à idade, não conseguem seguir as recomendações básicas, o que causa bastante aflição entre a categoria, que, além de conduzir sozinha o processo de ensino-aprendizagem, sem apoio de mais profissionais dentro da sala de aula, agora acumula uma nova função: cuidar para que cada criança cumpra as medidas sanitárias. De acordo com um dos depoimentos, a retomada se torna ainda mais difícil com o uso de máscara, onde os professores têm que elevar o tom da voz e falar initerruptamente por mais de 4 horas. Os profissionais também lamentaram não terem recebido nenhum tipo de Equipamento de Proteção Individual (IPI) para o retorno. “É mais um conta que vai ficar para o bolso do professor, pois temos que usar, no mínimo, duas máscaras por dia em sala de aula, onde o ambiente não tem muita ventilação e estamos lidando com crianças, o medo de contaminação é grande devido aos espaços pequenos e sem ventilação”, declarou uma das professoras presentes.

Outra crítica dos profissionais refere-se à falta de planejamento do processo de retomada das aulas presenciais por parte da Semed, uma professora opinou que as “ações desenvolvidas são entrecruzadas, tardias e que não envolveram todos da comunidade escolar, a exemplo da testagem de covid-19 que não foi feita todos os turnos”. Os profissionais acreditam que, se a Semed confeccionasse um documento que respeitasse a autonomia da escola, pois cada unidade tem suas particularidades, a retomada das aulas poderia ter sido melhor aproveitada.

Outro problema, que já era grave muito antes da pandemia da covid-19, trata-se da carência de professores na rede municipal e, por conta disso, vários professores se queixaram na plenária sobre a carga horaria diária que está sendo excedida. “Os gestores foram obrigados a entrarem neste processo de qualquer jeito e estão cumprindo o que a Semed determina; enquanto isso o professor está lá cumprindo carência e, quando menos percebe, já chegou a 14 horas trabalhadas. Sabemos que não haverá nenhuma compensação nos contracheques ao final do mês”, relatou uma profissional. Na plenária também foi dito que quem discorda nas escolas de alguns pontos sobre a retomada das aulas presenciais, é vítima de assédio moral.

Durante a plenária virtual, a presidente do Sindeducação explicou que todos os relatos foram extremamente necessários para a compreensão da situação e tomada de providências pelo sindicato, reforçando que as visitas às 13 escolas que retornaram presencialmente seguirão acontecendo. Todos os relatos estarão no relatório que está sendo produzido pelo Sindeducação, com informações obtidas durante as blitzes e que será entregue ao Ministério Público do Estado do Maranhão (MP-MA) e ao Ministério Público do Trabalho no Maranhão (MPT-MA) para que a entidade cobre dos dois órgãos medidas legais sobre a retomada das aulas nas escolas da rede pública e garantias de condições de trabalho para os profissionais da educação. A diretoria reforçou também que, administrativamente, a Semed será acionada pelo sindicato.

A reunião foi finalizada com os professores agradecendo pelo trabalho que o sindicato promove nessas escolas e com a presidente do Sindeducação informando que, nesta semana, mais uma plenária será realizada, desta vez para ouvir os coordenadores pedagógicos.

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IMPRENSA SINDEDUCAÇÃO

 

 

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