AULAS REMOTAS | Sindeducação faz segunda denúncia ao MP sobre conteúdo impróprio em grupos de WhatsApp

Em ofício direcionado à Promotoria da Educação, sindicato também apresenta áudios com reclamações de pais de alunos

Sindeducação protocola segunda denúncia no MPMA, sobre aulas remotas impostas pela SEMED.

Nesta quinta-feira, dia 3, o Sindeducação fez a segunda denúncia sobre os graves problemas ocasionados pelo ensino remoto imposto pela Prefeitura de São Luís aos professores e pais de alunos da Rede Pública. As professoras Izabel Cristina e Nathália Karoline, dirigentes do sindicato, protocolaram ofícios no Ministério Público – MPMA e Secretaria de Educação – SEMED, informando sobre várias ocorrências que colocam educadores e familiares em situação de vulnerabilidade. No último dia 28, professoras receberam em grupos de WhatsApp criados para interagir com pais e alunos, conteúdos de natureza imprópria (pornografia), fato que também foi objeto de denúncia pelo sindicato.

Dessa vez, circula nos grupos de WhatsApp, vídeos com campanha negacionista sobre os efeitos de uma provável vacina desenvolvida contra a Covid-19. Segundo a presidente em Exercício do Sindeducação, professora Izabel Cristina, o conteúdo identificado como Campanha “Antivacina” tenta convencer a população, em plena pandemia, que a real intenção de uma vacina para a Covid-19, seria de exterminar pelo menos 80% da população mundial, uma clara ‘Fake News’. “É inadmissível essa situação que professores e crianças estão submetidos com a imposição de aulas remotas sem qualquer infraestrutura tecnológica, expondo a vida pessoal dos profissionais da Educação e das próprias famílias”, explica.

Em outro arquivo gravado em CD e remetido ao MP e à SEMED, mães de alunos discutem com as professoras em razão de não conseguirem abrir um arquivo remetido com atividade para os estudantes, provavelmente pelo péssimo sinal de internet que dispõem.

Documento também foi endereçado ao secretário de Educação, Moacir Feitosa.

A professora Nathália Karoline ressalta que em outros áudios, mães de alunos informam às professoras que podem ter dificuldade para acompanhar as atividades com os filhos, em razão de “não saberem ensinar sobre o conteúdo remetido”.

“O ensino remoto já é uma modalidade difícil quando se tem estrutura, com plataforma pensada especificamente para a modalidade, e quando se tem certeza que o outro lado, o aluno, dispõe de acesso a essa tecnologia; mas estamos diante de um ensino remoto ‘planejado’ do dia para noite, direcionado à Educação Infantil, sem plataforma, sem formação, sem estrutura tecnológica para educadores e alunos, e com percentual gigantesco de famílias em situação de vulnerabilidade social, em um processo de exclusão digital na Educação Pública. É um desastre educacional anunciado”, lamenta indignada.

Íntegra do ofício remetido. Provas foram anexadas em CD.

CUSTEIO DO ENSINO

Os professores da Capital têm sido submetidos a custear todo o processo de ensino remoto, “pensado do dia para a noite” e imposto unilateralmente pela Secretaria de Educação, sem qualquer diálogo com a categoria. Dentro desse contexto, os gestores escolares foram orientados pela secretaria a impor aos professores, a criação, nos aparelhos celulares pessoais, de grupos de WhatsApp para “interagir e manter o vínculo afetivo” com os alunos, remetendo diariamente conteúdo didático, inclusive na Educação Infantil.

O Sindeducação condena a prática do Ensino Remoto, pois entende que a medida, antes de tudo, exime o Município de São Luís de sua obrigação de custear a Educação Pública, e restringe o acesso dos estudantes às aulas.

A entidade sindical, diante da postura de imposição e falta de diálogo da SEMED, também está juntando tais provas para ajuizamento de uma ação na Justiça, contestando o modo como se dá a oferta do ensino remoto na Capital, a partir da penalização dos professores, e limitação do acesso aos estudantes, dentre outros.

DENÚNCIA

Para denunciar, os professores devem enviar mensagem para o e-mail: diretoriasindeducacao@gmail.com , com depoimento escrito, nome, UEB de lotação, fotos, capturas de tela, mensagens de gestores impondo utilização de equipamentos, internet e outros de âmbito pessoal, vídeos, dentre outras provas que possam contribuir com a denúncia ao MP e ação na Justiça. O professor poderá resguardar a identidade, desde que informe no e-mail, mas a UEB de lotação será identificada na denúncia do sindicato.

Imprensa Sindeducação.

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