Sindeducação denuncia a falta de coordenadores pedagógicos na rede municipal

O coordenador pedagógico é um agente transformador, que atua como o principal articulador do cotidiano escolar. A presença deste profissional é indispensável para a conquista do bom desenvolvimento docente e discente.

A função do coordenador pedagógico surgiu a partir da transformação na educação entre as décadas de 70 a 90. Com as novas mudanças, nasceu a necessidade de se fomentar novas práticas pedagógicas, trazendo para o cenário educacional a perspectiva de se pensar e de se fazer a educação.

A importância do Coordenador Pedagógico

O coordenador pedagógico é uma liderança dentro do ambiente escolar, que atua sob uma visão integrada e participativa de todos os atores sociais, no sentido de mediar, formar, debater, articular, propor, transformar, dentre outras mais. É o profissional que acompanha e gerencia a rotina diária dos professores, avaliando as práticas e a consolidação dos objetivos educacionais.

A partir de suas técnicas e habilidades, o coordenador pedagógico desenvolve projetos, juntamente com professores e direção, voltados para o desenvolvimento da aprendizagem, trazendo a perspectiva das transformações sociais para a vivência escolar.

Falta de valorização

 

Porém, após décadas, a ascensão deste profissional enfrenta muitas dificuldades. Um dos principais problemas é o desvio de função, proporcionada por um entendimento equivocado de gestores escolares, que coloca o coordenador pedagógico na função de secretário, ou até mesmo na condição de diretor adjunto, além, ainda, de o ver como um “apagador de incêndio”, aquele que resolve as dificuldades da rotina administrativa, financeira e outras. Essa prática vem desagregando a responsabilidade destes profissionais, uma vez que são sobrecarregados de afazeres aleatórios e nem sempre conseguem parar em seu espaço de trabalho, enquanto outros nem tem um local adequado para laborar.

A rede de ensino do município de São Luís possui um déficit preocupante em relação à quantidade de coordenadores pedagógicos. O Sindeducação vem denunciando a baixa no número de profissionais nas escolas, constituindo, como um dos itens da pauta de reivindicações, a solicitação da realização de concurso público para atender tanto a demanda para os cargos de coordenadores, como para professores.

“Há mais de 15 anos atuo como coordenadora pedagógica da rede municipal; juntamente com a equipe escolar, desenvolvo programas e projetos que ajudam a melhorar a rotina dos alunos e professores, dentro das necessidades educacionais daquele ambiente. Mas, nós, professores e coordenadores, sentimos falta de apoio, estímulo através de valorização do profissional que está na escola lutando com todas as adversidades. Não há um suporte adequado para que possamos desenvolver nosso trabalho e, assim, alcançar resultados ainda melhores. Precisamos de políticas públicas que venham trazer mais apoio para os coordenadores pedagógicos e, também, melhorias em nossas condições salariais e de trabalho, expôs a coordenadora pedagógica, professora Márcia Brenha.

Falta de coordenadores nas escolas compromete o ensino

A Secretaria Municipal de Educação (SEMED) vem prejudicando o processo educacional, negligenciando a oferta da educação pública de qualidade, pois, não se pode pensar em qualidade no ensino quando há alto déficit de profissionais coordenadores e professores.  No último concurso público foram disponibilizadas vagas para suporte pedagógico, porém os aprovados não foram convocados.

“Uma educação efetiva e eficaz é fruto de uma ação integrada e participativa, em que se tem uma escola digna, com professores e coordenadores qualificados e valorizados. Essa é uma análise muita séria que precisa ser feita pela pasta educacional, pois manter escolas sem coordenadores pedagógicos é uma falha institucional grave! Não adianta reconhecer o problema, tem que promover solução, tem que ter gestão, tem que ter uma política de valorização aos profissionais do magistério”, destacou a profª Elisabeth Castelo Branco.

Alcançar padrões que coloquem o Brasil, assim como o Maranhão, no ranking de desenvolvimento educacional é um árduo caminho que requer como ponto de partida o investimento na política educacional, a ter como pilares a boa infraestrura das escolas, gestão qualificada, professores e coordenadores capacitados. Mas, na capital maranhense, a falta de gestão pública tem sido o declínio do sistema educacional. Hoje, professores, coordenadores e alunos enfrentam os flagelos de um sistema público arruinado.

Para a secretária de Assuntos Educacionais, profª Gleise Sales, “De acordo com a quantidade de turmas, o correto era ter dois coordenadores por escola, pois a ausência destes profissionais prejudica o processo educacional. No dia em que os gestores públicos olharem para a educação pública com o sentimento de compromisso com o desenvolvimento e com o progresso, poderemos esperar por um futuro melhor, de igualdade e de soberania do povo”, disse.

1 comentário

  • Helena disse:

    Em algumas escolas faltam professores de diversas disciplinas e ISS não incomoda a Semed nem o prefeito, imagine coordenador pedagógico, depois vem a público dizer que a educação está avançando. Quando o prefeito deixar o cargo deixará também um legado negativo em relação a educação infelizmente, mas a luta continua. Vamos em frente.

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