São Luís, 406 anos: o que temos a comemorar na educação pública municipal?

08 de setembro de 2018, hoje, São Luís completa 406 anos de história. Única capital brasileira fundada por franceses, ocupada por holandeses, colonizada pelos portugueses e exaltada por cantores, poetas e escritores. São Luís se destaca pelo conjunto arquitetônico, patrimônio histórico, por sua rica cultura, belezas naturais, gastronomia impecável, privilegiada posição geográfica, com o litoral estrategicamente localizado bem mais próximo de grandes centros econômicos, além de ser berço da literatura brasileira e de um povo acolhedor.

Com todas essas particularidades, a Cidade dos Azulejos deveria se credenciar para o crescimento, mas o que se vê pelas ruas, fontes e cantarias é um cenário de abandono. A cidade não possui políticas públicas voltadas para a educação, saúde, infraestrutura, saneamento básico etc.

Nos hospitais superlotados, faltam profissionais, medicamentos, estrutura adequada e as filas são intermináveis para a marcação de uma consulta. A falta de infraestrutura nas ruas e avenidas compõe cada vez mais o trânsito de São Luís, refletindo o péssimo serviço oferecido à população e desperdício do dinheiro público. Também falta saneamento básico e políticas voltadas para a acessibilidade. Isso, ao citar somente os serviços básicos!

Na educação, o cenário é caótico, de completo abandono. As escolas estão sucateadas, algumas ainda nem iniciaram o ano letivo de 2018 e as que passaram por reformas continuam com os mesmos problemas. Os professores não dispõem de material didático-pedagógico para trabalhar, os espaços escolares não têm estrutura necessária, as quadras poliesportivas estão mal conservadas, a merenda escolar é de péssima qualidade, falta segurança e valorização aos educadores, que já estão há dois anos sem reajuste salarial. Devido a esse descaso, os professores estão adoecendo, como comprova a pesquisa realizada pela CNTE, em que 66% dos professores já precisaram se afastar para tratamento de saúde.

“São Luís anda esquecida, os nossos representantes não têm responsabilidade e compromisso com a gestão pública. Os problemas assolam hospitais, bairros, ruas e avenidas da capital. Na educação, presenciamos e denunciamos absurdos que acontecem na rede pública municipal de São Luís todos os dias. Precisamos evoluir, e essa evolução só será concretizada a partir do momento em que a educação for tratada como prioridade e com respeito. Somente assim, teremos mudanças efetivas que tanto a nossa cidade e sua população precisam e merecem”, disse a professora Elisabeth Castelo Branco, presidente do Sindeducação.

Com tantos problemas, o que temos a comemorar nesses 406 anos de São Luís?

ASCOM/Gean Brito

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