Professora nota 10: docente desenvolve projeto sobre Feminicídio em escolas

Texto: Profª Flor de Cássia

O projeto Feminicídio nas escolas já está produzindo resultados. As unidades escolares Profº Rubem Almeida e Camélia Costa Viveiro começaram a discutir o problema com os alunos das escolas localizadas nos bairros com índices significativos de violência contra a mulher,  Coroadinho e Coroado, respectivamente.

As palestras iniciaram em outubro com a abertura do Projeto “roda de conversa” da profª Flôr de Cássia, na Ueb Profº Rubem Almeida, no turno noturno para o EJA – Educação de jovens e adultos, na qual foram apresentadas Leis que protegem e oferecem segurança às mulheres, entre elas: A mulher tem o direito de descer fora do ponto de ônibus após às 22h. “Essa informação foi de grande valia para todos que participaram da Palestra, pois muitos não a conheciam”, destacou a profª Flor.

“A indiferença mata”, reforçou a titular da DEM-São Luís, delegada Vanda Moura Leite, em sua palestra na Ueb Prof Rubem Almeida na noite do dia 16 de outubro.

Foram distribuídos folders para os alunos conhecerem mais sobre a lei do Feminicídio, com informações sobre medidas de proteção e números de telefone para atendimento.

“Desde a agricultura, quando o homem começou a tomar posse das terras, ele achou que tinha direito sobre o corpo da mulher para garantir que os filhos fossem os herdeiros da terra. Desde então, o homem acha que ele é o dono da mulher. Então, a gente vem reproduzindo determinada cultura machista.”, disse a delegada. O sentimento de posse transformou-se em violência.

De acordo com a palestrante, as mulheres sofrem de maneiras diversas: vítimas de ameaça, vítimas de lesão corporal dolosa e vítimas de estupro. Em todas essas situações, a mulher precisa denunciar a agressão.

“Precisamos focar mesmo no seguinte: chamar atenção desses jovens para a gravidade desse tipo de violência contra a mulher e para alertar, também, que esse tipo de violência deve ser, de toda forma, repudiada. Então, muitas vezes, certas condutas que são reproduzidas, naturalizadas e, muitas vezes, banalizadas a gente quer demonstrar que isso é uma ofensa real à liberdade do outros” finalizou a titular da DEM.

O debate fez muitos alunos se identificarem com o problema, como a aluna P. M. J de 34 anos, do 1º segmento, que emocionada e de maneira corajosa relatou sua situação, a qual sensibilizou a todos.

A Profª Flor de Cássia levou também a discussão sobre o feminicídio para alunos do ensino fundamental, turno matutino da Ueb Camélia Costa Viveiro. Na ocasião, a Palestra foi realizada pelas policiais Viviane Azambuja e Andrea, delegada e escrivã da polícia civil, as quais debateram com muitos adolescentes .

“Nós percebemos que isso mexeu muito, sensibilizou os alunos. Houve o interesse de alguns alunos, esses alunos foram super atentos e alguns foram se identificando e fazendo perguntas.”,disse a profª. Flor.

Por outro lado, esse conhecimento pode gerar dificuldades de adaptação para crianças que presenciam a violência contra a mulher na família.

“Podemos ter alguns embates, alguns entraves. Porque você pode ter um aluno que, em casa, ele vê o pai bater na mãe e o pai torna isso normal. Então, ele pode chegar em casa e dizer: ‘Ah, lá na escola estão dizendo que o homem não deve bater na mulher’; e o pai pode chegar na escola reclamando. Então, como isso pode ser abordado, inclusive ampliando e não só debatendo isso com os alunos, é ampliando a orientação aos pais, afirmou a delegada Viviane Azambuja.

A aluna Fabynne da Silva Pereira, de 15 anos do 9º ano, enfatizou que esse aprendizado pode reverter um quadro de violências contra a mulher.

A inserção do debate nas escolas promove o envolvimento e a participação dos alunos. Serão benefícios a longo prazo:  a superação do sentimento de posse e a ampliação do respeito:

“Se começamos a discutir isso desde cedo nas escolas, tentando ampliar e mostrar às crianças que não existe essa coisa de propriedade, e sim, que o que vincula as pessoas é o amor, e o amor é um vínculo, de maneira geral, libertário e de respeito, então, as pessoas vão muito mais colaborar e se solidarizar do que, na verdade, violentar”, finalizou a escrivã de policia Andrea.

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